Protocolos de atendimento
Manual de Boas Práticas para Cuidadores de Idosos
O guia de treinamento que orienta cada cuidadora e cuidador da Cuidado Certo dentro da casa das famílias: o que fazer, o que observar e quando pedir ajuda.
Banho • Mobilidade • Alimentação • Medicamentos • Demências • Emergências
Índice do manual
- - Como usar este manual
- - Contatos de emergência
- 1 Fundamentos do cuidado
- 1.1 O papel do cuidador
- 1.2 Dignidade, autonomia e comunicação
- 1.3 Organização do plantão e passagem de turno
- 1.4 Conduta profissional Cuidado Certo
- 2 Higiene e conforto
- 2.1 Higiene das mãos e prevenção de infecções
- 2.2 Banho no chuveiro
- 2.3 Banho no leito
- 2.4 Higiene íntima, fraldas e dobras da pele
- 2.5 Boca, dentes e próteses
- 2.6 Vestuário, temperatura e sono
- 3 Mobilidade e prevenção
- 3.1 Princípios para movimentar sem machucar
- 3.2 Transferência cama-cadeira
- 3.3 Cadeira de rodas, bengala e andador
- 3.4 Lesões por pressão
- 3.5 Quedas: tornar a casa mais segura
- 4 Alimentação e hidratação
- 4.1 Alimentação da pessoa idosa
- 4.2 Hidratação, intestino e urina
- 4.3 Disfagia e prevenção de broncoaspiração
- 5 Medicação e monitoramento
- 5.1 Auxílio seguro com medicamentos
- 5.2 Sinais vitais: medir, registrar e interpretar com contexto
- 6 Problemas de saúde frequentes
- 6.1 Pressão alta e pressão baixa
- 6.2 Diabetes: hipoglicemia e hiperglicemia
- 6.3 Insuficiência cardíaca e piora respiratória
- 6.4 Infecções, febre e delirium
- 6.5 Alzheimer e outras demências
- 6.6 Parkinson e cuidados após AVC
- 7 Emergências
- 7.1 Queda, trauma de cabeça e convulsão
- 7.2 Engasgo em adulto consciente
- 7.3 Parada cardiorrespiratória
- 7.4 Quando chamar o SAMU 192
- 8 Situações especiais
- 8.1 Cuidados paliativos e fim de vida
- 8.2 Acompanhamento em internação
- 8.3 Companhia fora de casa
- 8.4 Cuidados após cirurgia
- 9 Rotina e autocuidado
- 9.1 Checklist diário e passagem de plantão
- 9.2 Ergonomia, limites e saúde emocional
- - Glossário
- - Referências e fontes
- - Termo de ciência
Dúvida sobre conduta ou situação fora do plano: fale com a supervisão.
COMO USAR ESTE MANUAL
Cuidar bem começa por saber o que observar e quando pedir ajuda
Material prático para cuidadoras e cuidadores domiciliares de pessoas idosas
Este manual organiza os cuidados do dia a dia em uma sequência simples: preparar, executar com segurança, observar, registrar e comunicar. O objetivo é preservar autonomia, conforto e dignidade da pessoa idosa sem transformar quem cuida em profissional de diagnóstico ou prescrição.
AUTONOMIA
- Estimule o que a pessoa ainda consegue fazer sozinha.
- Explique antes de tocar, mover ou iniciar qualquer cuidado.
- Respeite preferências, privacidade e ritmo.
SEGURANÇA
- Siga o plano de cuidados e as prescrições vigentes.
- Registre mudanças e intercorrências.
- Em urgência, priorize segurança e acione ajuda.
ANTES DE TUDO
Contatos de emergência
Deixe esta página acessível: na porta da geladeira, no celular e na pasta do plano de cuidados
SAMU · 192
Risco de vida: falta de ar intensa, dor no peito, desmaio, sinais de AVC, engasgo grave, convulsão prolongada, sangramento importante, queda com trauma de cabeça.
BOMBEIROS · 193
Incêndio, vazamento de gás, pessoa presa ou caída em local de difícil acesso, resgate.
POLÍCIA · 190
Invasão, ameaça, violência em curso.
DISQUE 100
Direitos Humanos: violência, negligência, abuso financeiro ou violação de direitos da pessoa idosa. Ligação gratuita e sigilosa.
CVV · 188
Apoio emocional 24 h, gratuito — para a pessoa assistida, a família ou para quem cuida.
SUPERVISÃO CUIDADO CERTO
WhatsApp/telefone: [PREENCHER]. Avise sempre que houver intercorrência, dúvida sobre conduta ou situação fora do plano.
O que dizer ao ligar para o 192
- Endereço completo, ponto de referência e um telefone que atenda.
- O que aconteceu e há quanto tempo (anote o horário de início).
- Se a pessoa está consciente e respirando.
- Idade aproximada, principais doenças e medicamentos relevantes.
- Deixe o telefone disponível e siga as orientações do regulador. Não desligue antes.
SEÇÃO 1
Fundamentos do cuidado
O cuidador é o elo entre a pessoa assistida, a família e a equipe de saúde
1.1
O papel do cuidador
Apoiar a vida diária, observar e comunicar — sem substituir profissionais de saúde
PODE
- Ajudar no banho, no vestir e na alimentação.
- Apoiar mobilidade e segurança.
- Lembrar e auxiliar a medicação prescrita.
- Observar, registrar e comunicar mudanças.
- Estimular autonomia e convivência.
NÃO PODE
- Alterar dose ou horário de remédios.
- Prescrever tratamentos ou dietas.
- Realizar procedimentos invasivos sem habilitação.
- Forçar alimentação, banho ou exercício.
- Ocultar quedas, erros ou piora clínica.
O trabalho do cuidador é tornar a rotina mais segura e possível, não tomar decisões clínicas. Quando a orientação da família e a da equipe de saúde forem diferentes, registre as duas e leve a dúvida à supervisão.
1.2
Dignidade, autonomia e comunicação
Cuidado correto também é a forma como o cuidado é oferecido
Antes de ajudar, pergunte: “Como o senhor (a senhora) prefere fazer?” e “O que consegue fazer sozinho?”. Pequenas escolhas devolvem controle e reduzem resistência.
- Chame a pessoa pelo nome que ela prefere e fale diretamente com ela, não apenas com os familiares.
- Explique o que vai fazer antes de tocar no corpo, trocar roupas, higienizar ou mover.
- Feche portas e cortinas durante a higiene; exponha apenas a área do corpo que está sendo cuidada.
- Evite infantilizar, apressar, repreender ou discutir para “provar” que a pessoa está errada.
- Use frases curtas, tom calmo e uma orientação por vez; confirme se houve compreensão.
- Respeite recusas sempre que não houver risco imediato; tente entender dor, medo, frio, vergonha ou cansaço.
- Nunca publique fotos, vídeos ou informações da pessoa assistida sem autorização.
AUTONOMIA
Fazer junto é melhor do que fazer pelo outro. Adapte a tarefa para preservar a participação.
DIGNIDADE
A pessoa idosa continua sendo adulta: tem história, preferências, limites e direito a decisões.
1.3
Organização do plantão e passagem de turno
Informação bem transmitida evita erros
No início do plantão, leia as orientações e confirme o que mudou desde o turno anterior. No final, registre fatos objetivos e o que foi comunicado.
NO INÍCIO
- Confirmar identidade e contatos.
- Rever medicações e horários.
- Checar restrições de líquidos e dieta.
- Conhecer risco de queda, alergias e dispositivos.
- Observar estado geral e humor.
NO FINAL
- Alimentação e hidratação.
- Urina e evacuação.
- Higiene, pele e mobilidade.
- Medicações conforme o plano.
- Sinais vitais previstos.
- Intercorrências e providências.
Erros, quedas e esquecimentos devem ser comunicados. O objetivo do registro é permitir correção rápida e continuidade do cuidado, não procurar culpados.
1.4
Conduta profissional Cuidado Certo
O que a empresa espera de quem representa a Cuidado Certo dentro da casa das famílias
APRESENTAÇÃO E PONTUALIDADE
- Uniforme limpo, cabelo preso, unhas curtas e sem adornos que machuquem.
- Chegue com antecedência para a passagem de turno; atraso ou imprevisto: avise a supervisão antes do horário.
- Não saia do plantão sem a chegada de quem vai assumir.
CELULAR E ATENÇÃO
- Celular no silencioso; uso pessoal apenas nas pausas e nunca durante banho, transferência ou refeição.
- Não fotografe, filme nem grave a pessoa, a casa ou documentos.
- Redes sociais: nada sobre a família, o endereço ou a rotina.
SIGILO E LGPD
- Diagnósticos, medicamentos, situação financeira e conflitos familiares são confidenciais.
- Compartilhe informações apenas com a supervisão e com quem a família autorizou por escrito.
- Documentos, receitas e exames ficam na casa, na pasta do plano.
DINHEIRO, PRESENTES E CHAVES
- Não aceite dinheiro, presentes de valor, procurações ou cartões. Se insistirem, comunique a supervisão.
- Compras a pedido da família: sempre com nota e registro no caderno.
- Chaves e senhas: só com autorização registrada.
TAREFAS DOMÉSTICAS
- Fazem parte: organização do ambiente da pessoa, preparo e limpeza das refeições dela, roupa de cama e roupas dela.
- Não fazem parte: faxina geral, cuidar de outras pessoas ou animais, serviços externos — salvo combinado formal com a empresa.
COMUNICAÇÃO
- Intercorrências clínicas: supervisão e família, nesta ordem em urgência (depois do 192).
- Assuntos de contrato, horários e valores: só com a supervisão, nunca negociados com a família.
- Conflito ou desconforto com a família: registre e comunique; não discuta.
SEÇÃO 2
Higiene e conforto
Mãos limpas, banho seguro e pele protegida — a base de tudo
2.1
Higiene das mãos e prevenção de infecções
Mãos limpas antes e depois de cada contato
- Lave as mãos antes de preparar alimentos ou medicamentos e depois de fraldas, banheiro, secreções ou lixo. Molhar → ensaboar → esfregar palmas, dorso, entre os dedos e unhas → enxaguar → secar bem (40 a 60 segundos).
- Quando as mãos estiverem visivelmente sujas, prefira água e sabão.
- Álcool 70% pode ser usado quando as mãos não estiverem visivelmente sujas, friccionando até secar (20 a 30 segundos).
- Mantenha unhas curtas. Luvas não substituem a higiene das mãos e devem ser trocadas entre tarefas.
2.2
Banho no chuveiro
Conforto, privacidade e prevenção de quedas
- Separe roupa, toalha, produtos de higiene, fralda e dispositivos antes de levar a pessoa ao banheiro.
- Teste a água com cuidado; mantenha o banheiro aquecido e o piso seco.
- Use banco e barras quando indicados. Trave a cadeira de rodas antes da transferência.
- Incentive a pessoa a lavar o que conseguir; ajude apenas no necessário.
- Seque por pressão suave, especialmente entre dedos e dobras; vista sem pressa.
- Observe pele, dor, tontura, falta de ar ou cansaço durante o banho.
2.3
Banho no leito
Para quem não consegue ir ao banheiro com segurança
Ordem: rosto e olhos → tronco e braços → pernas e pés → costas → higiene íntima por último.
- Mantenha o corpo coberto e exponha uma região de cada vez.
- Use água morna e panos limpos; troque a água se estiver fria ou suja.
- Higienize do mais limpo para o mais contaminado.
- Ao virar a pessoa, proteja ombros e quadris e evite puxar pelo braço.
- Seque muito bem dobras, virilhas, axilas e região sob as mamas.
- Troque roupa de cama úmida e deixe lençóis esticados, sem migalhas ou dobras.
2.4
Higiene íntima, fraldas e dobras da pele
Umidade e atrito favorecem dermatites e infecções
Troque fraldas sempre que houver fezes e quando estiverem muito molhadas. A frequência deve acompanhar a rotina urinária, o tipo de fralda e a integridade da pele.
- Lave ou limpe suavemente da frente para trás, principalmente em mulheres, evitando levar fezes para a uretra.
- Não esfregue pele irritada; seque por contato suave.
- Aplique barreira de pele apenas conforme rotina definida; não misture vários cremes sem orientação.
- Em dobras, mantenha a pele limpa e seca. Tecidos úmidos, talcos em excesso e produtos perfumados podem irritar.
- Observe candidíase e intertrigo: vermelhidão intensa, ardor, fissuras ou pequenas lesões ao redor merecem avaliação.
- Em homens, retraia o prepúcio apenas se for fácil e sempre recoloque-o na posição após a higiene.
URINA
Observe quantidade, cor, odor muito diferente, dor ao urinar e mudança importante do padrão. Não diagnostique infecção apenas pelo cheiro.
FEZES
Registre frequência, consistência, sangue, cor preta, diarreia persistente ou ausência prolongada acompanhada de desconforto.
2.5
Boca, dentes e próteses
Saúde bucal influencia alimentação, fala e risco de infecção
- Escove dentes e implantes com escova macia e creme dental fluoretado, conforme tolerância.
- Escove a língua suavemente e use fio dental quando possível e seguro.
- Prótese removível: retire para higienizar fora da boca; use escova exclusiva e detergente neutro.
- Retire a prótese para dormir, salvo orientação odontológica diferente.
- Observe feridas, sangramento, dor, dente solto, prótese machucando, placas brancas ou vermelhas e mau cheiro persistente.
- Se a pessoa tem disfagia ou pouca consciência, siga a orientação da equipe para reduzir risco de aspiração durante a higiene oral.
2.6
Vestuário, temperatura e sono
Conforto reduz agitação e melhora a rotina
- Prefira roupas fáceis de vestir, sem apertar cintura, tornozelos ou áreas com inchaço.
- Para vestir um braço ou perna com limitação, comece pelo lado mais difícil; para retirar a roupa, comece pelo lado mais fácil.
- Mantenha calçados fechados, firmes e antiderrapantes; evite chinelos frouxos.
- Nos dias de calor forte, ofereça líquidos com mais frequência, mantenha o ambiente ventilado e observe sonolência, confusão ou pele muito quente e seca.
- Organize a rotina de sono: luz natural durante o dia, atividades compatíveis, ambiente tranquilo à noite e menos estímulos perto do horário de dormir.
- Antes de atribuir insônia à “agitação”, verifique dor, fome, fralda molhada, calor ou frio, constipação, falta de ar ou vontade de urinar.
- Evite sedativos ou “remédios para dormir” não prescritos; em pessoas idosas, eles podem aumentar confusão e quedas.
SEÇÃO 3
Mobilidade e prevenção
Proteja a pessoa assistida — e também a coluna de quem cuida
3.1
Princípios para movimentar sem machucar
Explique, aproxime-se, use as pernas — nunca as axilas
- Explique o movimento e combine uma contagem: “no três, vamos levantar”.
- Aproxime-se; mantenha os pés afastados e dobre os joelhos. Evite torcer o tronco carregando peso.
- Não puxe a pessoa pelas axilas, braços ou mãos.
- Use barras, andador, cinto de marcha ou elevador somente quando previstos e com treinamento.
- Se a pessoa não sustenta o próprio peso, está muito sonolenta ou piorou de repente, não tente a transferência sozinho.
- Estimule pequenas mudanças de posição e movimento dentro do plano da fisioterapia.
3.2
Transferência cama-cadeira
Uma sequência previsível reduz quedas
- Coloque a cadeira no lado mais forte quando isso fizer parte do plano funcional; trave os freios e retire obstáculos.
- Sente a pessoa na borda da cama por alguns instantes. Pergunte sobre tontura e observe palidez.
- Os pés devem tocar o chão. Oriente inclinar o tronco levemente à frente para levantar.
- Gire com pequenos passos; não torça o joelho fixo.
- Só sente quando a parte de trás das pernas tocar a cadeira e as mãos encontrarem o apoio.
3.3
Cadeira de rodas, bengala e andador
Dispositivos ajudam quando estão ajustados e bem usados
- Trave os freios da cadeira de rodas em toda transferência e em paradas prolongadas.
- Reposicione os pés nos apoios após sentar; não deixe pés arrastando no chão durante o deslocamento.
- Em rampas, soleiras e elevadores, vá devagar e mantenha o controle da cadeira. Em descidas íngremes, desça de costas.
- Não pendure peso excessivo atrás da cadeira, pois pode alterar o equilíbrio.
- Andadores e bengalas devem ter altura ajustada por profissional. Borrachas gastas devem ser trocadas.
- Não incentive o uso de um dispositivo novo sem avaliação quando houver fraqueza, tontura ou alteração neurológica.
ANTES DE LEVANTAR
- Calçado firme.
- Óculos e aparelho auditivo, quando usados.
- Caminho livre.
- Dispositivo ao alcance.
AO CAMINHAR
- Fique próximo, do lado mais fraco.
- Não apresse.
- Observe falta de ar e tontura.
- Dê pausas quando necessário.
3.4
Lesões por pressão
Pessoas com pouca mobilidade precisam de vigilância de pele
- Inspecione a pele diariamente, principalmente sacro, quadris, calcanhares, cotovelos e áreas sob dispositivos.
- Reposicione nos intervalos definidos no plano de cuidados — em geral a cada 2 horas quando a pessoa não muda de posição sozinha, salvo orientação diferente.
- Alivie a pressão dos calcanhares quando orientado e mantenha lençóis secos e sem dobras.
- Controle a umidade de urina, fezes e suor; use barreiras de pele conforme orientação.
- Nutrição e hidratação adequadas fazem parte da prevenção, respeitando restrições.
- Não massageie vermelhidão persistente nem use almofadas improvisadas em formato de “boia”.
3.5
Quedas: tornar a casa mais segura
A maioria dos riscos pode ser reduzida antes do acidente
- Retire tapetes soltos, fios, móveis baixos e objetos do caminho.
- Garanta boa iluminação, especialmente entre cama e banheiro.
- Instale barras e corrimãos conforme avaliação; evite usar toalheiros como apoio.
- Mantenha itens de uso frequente ao alcance, sem necessidade de subir em bancos.
- Revise com a equipe medicamentos que causam sonolência, tontura ou queda de pressão.
- Após qualquer queda, registre circunstâncias: horário, local, atividade, calçado, sintomas e possível impacto da cabeça.
SEÇÃO 4
Alimentação e hidratação
Comer bem também é prazer, rotina e segurança
4.1
Alimentação da pessoa idosa
Respeite preferências, prescrição e capacidade de mastigar e engolir
- Ofereça alimentos variados, preferindo in natura ou minimamente processados.
- Respeite dieta prescrita, alergias, diabetes, doença renal, insuficiência cardíaca e outras restrições.
- Observe dentição, prótese, dor, cansaço, perda de apetite e perda de peso.
- A pessoa deve estar acordada e bem posicionada para comer.
- Não force alimento em pessoa sonolenta, com tosse intensa ou dificuldade de engolir.
- Registre redução importante da ingestão por mais de um dia e comunique se houver fraqueza, desidratação ou perda de peso.
4.2
Hidratação, intestino e urina
Observar tendências é mais útil do que um único episódio
HIDRATAÇÃO
- Ofereça líquidos ao longo do dia quando permitidos.
- Use copo ou adaptação conforme a deglutição.
- Observe boca seca, urina escura, sonolência, fraqueza e redução da urina.
- Respeite restrição hídrica prescrita.
INTESTINO
- Registre frequência e consistência.
- Estimule mobilidade e fibras quando permitidas.
- Não use laxantes, enemas ou antidiarreicos por conta própria.
- Sangue, fezes pretas, dor forte ou distensão importante são alertas.
Pessoas idosas podem desidratar rapidamente com febre, diarreia, vômitos, calor, pouco acesso a líquidos ou uso de diuréticos. Em insuficiência cardíaca ou renal, porém, excesso de líquido também pode ser perigoso.
- Diarreia: observe número de episódios, sangue, febre, dor, vômitos e quantidade de urina.
- Constipação: procure orientação se houver dor, vômitos, barriga muito distendida ou vários dias sem evacuar com desconforto.
- Urina: queda importante do volume, sangue, dor ao urinar ou incapacidade de urinar exigem comunicação rápida.
4.3
Disfagia e prevenção de broncoaspiração
Dificuldade para engolir merece avaliação fonoaudiológica
- Sinais: tosse ou engasgo durante refeições, voz “molhada”, alimento parado na boca, tempo de refeição muito longo, perda de peso ou pneumonias repetidas.
- Use apenas a consistência indicada. Nem todo líquido “mais grosso” é seguro sem avaliação.
- Ofereça pequenos volumes, ritmo lento e tempo para engolir. Sem conversar enquanto a pessoa engole.
- Evite alimentar deitado. Mantenha o tronco ereto e, quando orientado, permaneça sentado cerca de 30 minutos após a refeição.
- Se houver engasgo repetido, sonolência ou dificuldade respiratória, interrompa a alimentação e peça avaliação.
SEÇÃO 5
Medicação e monitoramento
Prescrição e plano de cuidados são a referência — nunca a memória
5.1
Auxílio seguro com medicamentos
Nunca improvise dose, horário, forma de uso ou trituração
- Confira nome da pessoa, medicamento, dose, horário e forma de uso antes de oferecer.
- Use uma lista atualizada e não confie apenas na memória ou na aparência do comprimido.
- Não antecipe, repita, suspenda ou “compense” dose esquecida sem orientação.
- Não misture medicamento na comida sem consentimento e orientação, pois pode alterar a dose ingerida e a confiança.
- Observe reação nova após o remédio: sonolência intensa, queda, vômitos, alergia, pressão muito baixa, confusão ou falta de ar.
- Registre se a pessoa recusou, vomitou logo após ou não conseguiu engolir, e peça orientação sobre o que fazer.
5.2
Sinais vitais: medir, registrar e interpretar com contexto
O valor “normal” pode variar conforme a condição clínica
- Use equipamento adequado e siga o método ensinado pela equipe.
- Registre valor, horário, posição (sentado ou deitado), uso de oxigênio e sintomas.
- Compare com o padrão habitual e com as metas individualizadas; uma mudança súbita pode ser mais importante que um número isolado.
- Se o aparelho mostrar valor incompatível com o estado da pessoa, repita a medida corretamente e avalie sintomas.
- Não ajuste medicamentos por conta própria com base em pressão, glicemia ou saturação.
SEÇÃO 6
Problemas de saúde frequentes
Sintomas e tendência importam; o diagnóstico é médico
6.1
Pressão alta e pressão baixa
Meça quando previsto, registre corretamente e não “trate o número”
Hipertensão geralmente não causa sintomas. Por isso, o cuidador deve medir apenas quando previsto e registrar corretamente, sem “tratar o número” por conta própria.
PRESSÃO ALTA
- Repita a medida após repouso se estiver muito diferente do habitual.
- Verifique se houve dor, ansiedade, cafeína ou esforço recente.
- Não dê dose extra de anti-hipertensivo sem ordem.
- Com dor no peito, falta de ar, déficit neurológico ou dor de cabeça súbita intensa: urgência.
PRESSÃO BAIXA
- Observe tontura, visão escura, fraqueza, sonolência ou desmaio.
- Deite ou sente com segurança para evitar queda.
- Verifique hidratação, restrições e medicamentos conforme o plano.
- Desmaio, confusão, pele fria ou piora rápida requerem avaliação urgente.
6.2
Diabetes: hipoglicemia e hiperglicemia
Mudança de comportamento pode ser alteração da glicose
HIPOGLICEMIA (BAIXA)
- Suor, tremor, fome, palpitação, tontura, irritabilidade, confusão, sonolência ou convulsão.
- Se previsto, meça a glicemia.
- Se consciente e capaz de engolir, ofereça 15 g de açúcar rápido: 1 colher de sopa de açúcar em meio copo de água, ou 150 mL de suco ou refrigerante comum. Reavalie em 15 minutos e repita se continuar baixa; depois ofereça um lanche.
- Se inconsciente, convulsionando ou sem deglutição segura: nada pela boca; acione urgência.
HIPERGLICEMIA (ALTA)
- Sede, muita urina, fraqueza, visão turva e sonolência.
- Registre a glicemia conforme o plano.
- Não aplique “correção” de insulina sem prescrição específica.
- Vômitos, respiração diferente, desidratação, confusão ou glicose persistentemente muito alta exigem avaliação.
Refeições atrasadas, menor ingestão, infecção, atividade física diferente, erro de medicação e função renal alterada podem mudar o risco de hipoglicemia em pessoas idosas.
6.3
Insuficiência cardíaca e piora respiratória
Observar falta de ar, inchaço, peso e urina
Na insuficiência cardíaca, líquido pode se acumular nos pulmões e nas pernas. O plano pode incluir pesagem, restrição de sal e líquidos, diuréticos e metas específicas.
- Sinais de piora: mais falta de ar, necessidade de dormir mais sentado, tosse noturna, aumento do inchaço, cansaço, redução do apetite e ganho rápido de peso.
- Registre o peso sempre na mesma balança e condição, quando isso fizer parte do plano.
- Redução importante de urina junto com falta de ar ou inchaço deve ser comunicada rapidamente.
- Não aumente diurético nem ofereça líquido extra para “fazer urinar” sem orientação.
- Mantenha a pessoa em posição confortável, geralmente mais elevada se houver falta de ar, enquanto busca orientação.
6.4
Infecções, febre e delirium
Em pessoas idosas, a infecção pode aparecer como “a pessoa está diferente”
- Observe febre, calafrios, tosse, catarro, falta de ar, dor, vômitos ou diarreia, feridas e secreções.
- Infecção urinária pode causar ardor, urgência e frequência urinária, dor e febre; urina com odor, isoladamente, não confirma infecção.
- Confusão súbita (delirium), sonolência ou queda funcional podem acompanhar infecção, desidratação, dor ou efeito de medicamentos.
- Não use antibiótico guardado em casa nem suspenda antes do prazo prescrito.
- Mantenha a hidratação conforme o plano e monitore urina, ingestão e estado geral.
- Febre em pessoas idosas pode ser discreta; piora clínica importante merece avaliação mesmo sem temperatura alta.
PNEUMONIA
Tosse nova, febre, respiração mais rápida, falta de ar, dor no peito ou queda do estado geral.
DELIRIUM
Início súbito, oscila ao longo do dia, atenção pior, sonolência ou agitação nova. É diferente da evolução lenta de uma demência.
6.5
Alzheimer e outras demências
Segurança, rotina e comunicação valem mais que confronto
- Mantenha rotina previsível e ambiente conhecido.
- Ofereça duas escolhas simples em vez de perguntas abertas demais: “Vamos tomar banho agora ou em 10 minutos?”
- Se a pessoa repetir a mesma pergunta, responda com calma ou redirecione para uma atividade.
- Em delírios e alucinações, não confronte agressivamente; valide o sentimento e reduza estímulos.
- Agitação pode significar dor, fome, banheiro, constipação, infecção, medo ou cansaço. Procure a causa antes de “controlar comportamento”.
- Fim de tarde (síndrome do pôr do sol): agitação, confusão ou desconfiança que pioram ao entardecer. Acenda as luzes antes de escurecer, reduza barulho e visitas nesse horário, mantenha uma atividade calma e conhecida.
- Identificação, portas seguras e supervisão são importantes quando há risco de sair e se perder.
FRASES QUE AJUDAM
- Frases curtas.
- Uma tarefa por vez.
- Validar a emoção.
- Evitar confrontos.
MUDANÇA SÚBITA
Uma piora de horas ou poucos dias não deve ser atribuída automaticamente à demência. Procure causa clínica e comunique a equipe.
6.6
Parkinson e cuidados após AVC
Movimento lento não significa falta de compreensão
PARKINSON
- Dê tempo para iniciar movimentos.
- Evite puxar para “apressar”.
- Horários de medicamentos podem ser críticos: não atrase sem orientação.
- Observe congelamento da marcha, quedas, dificuldade de engolir e fala baixa.
APÓS AVC
- Proteja o lado fraco e não puxe pelo braço afetado.
- Siga posicionamento e exercícios ensinados pela fisioterapia.
- Siga a consistência alimentar orientada pela fonoaudiologia.
- Fraqueza ou fala piorando de forma nova pode ser novo AVC: 192.
SEÇÃO 7
Emergências
Primeiro proteja; depois avalie antes de mover
7.1
Queda, trauma de cabeça e convulsão
Primeiro proteja; depois avalie antes de mover
- Após queda, não levante imediatamente. Pergunte sobre dor e observe cabeça, quadril, braços e pernas, sangramento e nível de consciência.
- Se houver dor forte, deformidade, incapacidade de apoiar peso, desmaio, confusão, vômitos repetidos ou trauma importante de cabeça, mantenha em segurança e acione urgência.
- Se não houver sinais graves e o plano permitir, ajude a levantar de forma gradual, com apoio; nunca “puxe” pelo braço.
- Pessoas que usam anticoagulante e bateram a cabeça precisam de avaliação mesmo sem sintomas.
- Em convulsão: afaste objetos, proteja a cabeça, marque o tempo e não segure os movimentos.
- Não coloque colher, dedo, água ou medicamento na boca durante a convulsão.
- Após terminar, se estiver respirando e for seguro, mantenha de lado e observe até recuperar.
7.2
Engasgo em adulto consciente
Diretriz atual: alternar 5 golpes nas costas e 5 compressões abdominais
- Se a pessoa consegue tossir e falar, incentive a tosse e observe; não faça manobras agressivas em obstrução parcial.
- Se não consegue falar, tossir ou respirar: peça a alguém que ligue 192; se estiver sozinho, ligue no viva-voz enquanto começa as manobras.
- Dê 5 golpes firmes entre as escápulas, inclinando a pessoa para a frente.
- Depois, faça 5 compressões abdominais (punho acima do umbigo, puxando para dentro e para cima). Em pessoa obesa ou em cadeira de rodas, quando não for possível abraçar o abdome: trave a cadeira e faça as compressões no tórax, por trás do encosto.
- Alterne 5 + 5 até o objeto sair ou a pessoa ficar inconsciente.
- Não faça varredura cega com o dedo. Retire apenas objeto claramente visível e alcançável.
7.3
Parada cardiorrespiratória
Reconhecer rápido e comprimir cedo pode salvar vidas
Suspeite quando a pessoa não responde e não respira normalmente (ou apresenta apenas respiração agônica, os “suspiros” espaçados).
- Garanta que o local seja seguro e tente despertar chamando e tocando nos ombros.
- Peça a alguém para ligar 192 e buscar um DEA; se estiver sozinho, ligue no viva-voz.
- Coloque a pessoa de costas em superfície firme. Se não houver respiração normal, inicie compressões no centro do peito.
- Comprima forte e rápido: 100 a 120 por minuto, afundando 5 a 6 cm, deixando o peito voltar entre uma compressão e outra.
- Se você não é treinado para ventilar, mantenha só as compressões e siga as instruções do SAMU.
- Quando chegar um DEA, ligue-o e siga as instruções de voz, interrompendo compressões apenas quando o aparelho pedir.
CONTINUE
Até a pessoa demonstrar sinais claros de vida, um profissional assumir, o local ficar inseguro ou você não conseguir continuar.
NÃO FAÇA
Não perca tempo tentando medir pressão, saturação ou glicemia antes de iniciar ajuda em uma pessoa irresponsiva sem respiração normal.
7.4
Quando chamar o SAMU 192
Em risco de vida, não espere a família retornar a mensagem
LIGUE 192 SE HOUVER
- Falta de ar intensa.
- Dor forte no peito.
- Desmaio ou inconsciência.
- Sinais de AVC.
- Engasgo grave.
- Convulsão prolongada ou repetida.
- Sangramento importante.
- Queda grave ou trauma de cabeça.
- Diga endereço completo, ponto de referência, idade aproximada e o que aconteceu.
- Informe se a pessoa está consciente e respirando, principais doenças, medicamentos relevantes e horário de início dos sintomas.
- Deixe o telefone disponível e siga as orientações do regulador.
- Separe documentos, lista de medicamentos, alergias e exames recentes se houver tempo.
- Não ofereça comida, bebida ou remédio a uma pessoa com rebaixamento de consciência, AVC suspeito ou dificuldade importante para engolir.
SEÇÃO 8
Situações especiais
Os serviços da Cuidado Certo vão além do plantão em casa — cada um pede cuidados próprios
8.1
Cuidados paliativos e fim de vida
Conforto, presença e respeito às decisões da pessoa e da família
Cuidado paliativo não é “desistir”: é priorizar conforto, alívio de sintomas e dignidade quando a doença não tem cura. O plano da equipe define o que fazer e, principalmente, o que não fazer.
- Siga o plano de sintomas: dor, falta de ar, náusea, secreção e agitação têm medicamentos e medidas previstas. Não improvise.
- Boca úmida (gaze molhada, hidratante labial), pele hidratada, mudanças suaves de posição e ambiente calmo aliviam muito.
- A recusa de comida e água no fim de vida costuma fazer parte do processo. Não force; ofereça pequenas quantidades se a pessoa quiser e o plano permitir.
- Fale com a pessoa mesmo que pareça não ouvir; a audição é um dos últimos sentidos a se perder.
- Respeite crenças, rituais e o desejo de ter (ou não) visitas.
- Cuide de você: converse com a supervisão após acompanhar um falecimento.
8.2
Acompanhamento em internação
No hospital, o cuidador apoia — a equipe do hospital decide
- Apresente-se à enfermagem do setor no início do plantão e informe quem é a família de referência.
- Não mexa em soro, sondas, oxigênio, bombas ou curativos. Se algo parecer errado (alarme, vazamento, dor), chame a enfermagem.
- Não ofereça alimentos, água ou medicamentos de fora sem liberação da equipe; o jejum pode ser por exame ou cirurgia.
- Ajude na comunicação: relate à equipe mudanças que você percebe (dor, confusão, agitação, recusa) e anote horários.
- Previna delirium hospitalar: óculos e aparelho auditivo, luz natural de dia, ambiente calmo à noite, relógio e calendário visíveis, conversa orientadora.
- Mantenha a pessoa acompanhada em levantar, banheiro e banho — o risco de queda aumenta no hospital.
- Alta: peça a lista de medicamentos, as orientações escritas e os retornos; repasse tudo à supervisão e à família.
8.3
Companhia fora de casa
Passeios, consultas e transporte com segurança
- Antes de sair: documentos, cartão do convênio, lista de medicamentos, água, lanche permitido, remédios do horário, fralda extra, agasalho, telefone carregado e o dispositivo de apoio.
- Combine trajeto, tempo e ponto de retorno com a família; avise a supervisão sobre saídas não previstas.
- Evite horários de calor forte; escolha caminhos com calçadas regulares, sombra e lugar para sentar.
- Em carro ou aplicativo: cinto sempre; entre e saia pelo lado da calçada; ajude na transferência com a porta totalmente aberta.
- Em consultas, leve as anotações do caderno (sinais vitais, sono, alimentação, quedas) e anote as orientações recebidas.
- Fique atento a sinais de cansaço, tontura, falta de ar ou confusão; encurte o passeio se necessário.
- Não deixe a pessoa sozinha em lugar público, mesmo por poucos minutos.
8.4
Cuidados após cirurgia
Posicionamento, sinais de infecção e o que não fazer
- Siga as orientações de alta: posições permitidas, peso que pode carregar, banho, dieta e exercícios.
- Curativo: não troque nem abra sem orientação. Observe e registre secreção, cheiro, vermelhidão que aumenta, calor e abertura dos pontos.
- Sinais de alerta: febre, dor que piora em vez de melhorar, sangramento, panturrilha inchada e dolorosa, falta de ar súbita, vômitos persistentes, ausência de urina.
- Estimule respiração profunda, tosse eficaz (com apoio no local operado) e movimentação precoce conforme liberado.
- Medicação para dor: no horário prescrito; dor controlada permite mover, respirar e comer melhor.
- Em cirurgia de quadril: respeite as restrições de movimento (não cruzar as pernas, não dobrar além de 90°, não girar o pé para dentro), conforme orientação da fisioterapia.
SEÇÃO 9
Rotina e autocuidado
Rotina boa é rotina registrada — e quem cuida também precisa de cuidado
9.1
Checklist diário e passagem de plantão
Uma página que pode virar protocolo da empresa
Preencha ao longo do plantão, não no final. Fatos, horários e quantidades; nada de “normal” ou “sem alterações” sem dizer o que foi observado.
Pessoa assistida:
Data: Turno: Cuidador(a):
| Item | Hora | Registro (fatos, quantidades, horários, quem foi avisado) |
|---|---|---|
| Estado geral e humor | ||
| Alimentação e líquidos | ||
| Urina e evacuação | ||
| Higiene e pele | ||
| Mobilidade e quedas | ||
| Medicações conforme plano | ||
| Sinais vitais (se previstos) | ||
| Intercorrências e comunicação | ||
| Observações para o próximo turno |
Assinatura de quem entrega:
Assinatura de quem recebe:
9.2
Ergonomia, limites e saúde emocional
Cansaço do cuidador aumenta o risco de erro e de acidente
- Peça ajuda em transferências que excedam sua capacidade física; não arrisque a própria coluna para “dar conta”.
- Faça as pausas previstas, hidrate-se, alimente-se e use calçado adequado para o plantão.
- Dor persistente, insônia, irritabilidade intensa, choro frequente, sensação de exaustão ou medo de perder o controle merecem apoio e ajuste de carga. Fale com a supervisão.
- Não aceite agressões como “parte do trabalho”. Procure a supervisão para plano de segurança e manejo de comportamento.
- Depois de uma intercorrência grave, faça uma passagem de caso clara e converse com a supervisão; eventos difíceis afetam emocionalmente quem cuida.
- Treinamento contínuo reduz ansiedade: primeiros socorros, mobilidade, demência, comunicação e prevenção de quedas devem ser reciclados.
PROFISSIONAL SEGURO
Conhece seus limites, segue protocolo e pede ajuda cedo.
EQUIPE FORTE
Compartilha informação sem esconder erro e usa o ocorrido para melhorar processos.
PARA CONSULTA
Glossário
Palavras que aparecem no manual e nas orientações da equipe de saúde
Aspiração / broncoaspiração
quando alimento, líquido ou saliva “vai para o pulmão” em vez do estômago; causa tosse, engasgo e pneumonia.
Barreira de pele
creme ou pomada que protege a pele do contato com urina e fezes.
DEA
desfibrilador externo automático: aparelho que analisa o coração e dá o choque se necessário; fala as instruções em voz alta.
Delirium
confusão mental de início rápido (horas ou dias), que vai e volta; geralmente tem uma causa: infecção, dor, remédio, desidratação.
Demência
perda lenta e progressiva de memória e de outras funções; o Alzheimer é o tipo mais comum.
Diretiva antecipada
documento em que a pessoa registra os tratamentos que aceita ou recusa se não puder decidir.
Disfagia
dificuldade para engolir.
Diurético
remédio que faz urinar mais; usado no coração e na pressão.
Escápulas
os ossos “das asas”, nas costas, atrás dos ombros.
Hipoglicemia / hiperglicemia
açúcar no sangue baixo / alto.
Intertrigo
assadura nas dobras da pele (virilha, sob as mamas, barriga).
Lesão por pressão
ferida que aparece onde o osso pressiona a pele contra a cama ou a cadeira (“escara”).
Manguito
a braçadeira do aparelho de pressão.
Plano de cuidados
documento da equipe com diagnósticos, medicamentos, rotina, restrições e o que fazer em cada situação.
Respiração agônica (gasping)
“suspiros” fracos e espaçados de quem está em parada cardíaca; não é respiração normal.
RCP
reanimação cardiopulmonar: compressões no peito (e ventilações, se treinado).
Sacro
osso na base da coluna, logo acima do cóccix; ponto comum de lesão por pressão.
Saturação
quantidade de oxigênio no sangue, medida no dedo pelo oxímetro (%).
Síndrome do pôr do sol
piora da confusão e da agitação no fim da tarde, em pessoas com demência.
BASE TÉCNICA
Referências e fontes principais
Prioridade para fontes oficiais brasileiras e diretrizes internacionais vigentes
- Brasil. Ministério da Saúde. Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa — edição vigente. Brasília: MS. Disponível em gov.br/saude.
- Brasil. Ministério da Saúde / Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Guia Prático do Cuidador. 2ª ed. Brasília: MS, 2008 (Série A, Normas e Manuais Técnicos) — princípios do cuidado domiciliar, confrontados com fontes atuais.
- Brasil. Ministério da Saúde / ANVISA. Protocolos de Segurança do Paciente: higiene das mãos; prevenção de quedas; prevenção de lesão por pressão (Portaria GM/MS nº 529/2013 e atualizações).
- Brasil. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado da Pessoa com Diabetes Mellitus tipo 2 — hipoglicemia: reconhecimento e manejo (regra dos 15 g).
- Brasil. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado da Insuficiência Cardíaca no adulto — sinais de descompensação.
- Brasil. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado do AVC — sinais de alerta e acionamento do SAMU 192.
- Brasil. Ministério da Saúde. Doença de Alzheimer e outras demências: orientações para atenção à pessoa idosa e cuidadores.
- Brasil. Lei nº 10.741/2003 (Estatuto da Pessoa Idosa), com a redação da Lei nº 14.423/2022; Lei nº 13.709/2018 (LGPD); Disque 100 — Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
- American Heart Association. 2025 AHA Guidelines for CPR and Emergency Cardiovascular Care — RCP em adultos (100–120/min, 5–6 cm) e obstrução de via aérea (alternar 5 golpes nas costas e 5 compressões abdominais). ILCOR 2025 Consensus on Science.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência — edição vigente.
- European Pressure Ulcer Advisory Panel / NPIAP / PPPIA. Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline, 2019.
- Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia / Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Orientações sobre disfagia na pessoa idosa — sinais de alerta, consistências e postura.
- Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP). Manual de Cuidados Paliativos — edição vigente.
- Organização Mundial da Saúde. Integrated Care for Older People (ICOPE) — guia para cuidado integrado da pessoa idosa.
REGISTRO DE TREINAMENTO
Termo de ciência
Preencha, assine e entregue à supervisão; a via assinada fica no cadastro da cuidadora ou do cuidador
Declaro que recebi, li e compreendi o Manual de Boas Práticas para Cuidadores de Idosos — Cuidado Certo, edição 2026 (versão 2.0), que participei do treinamento sobre seu conteúdo e que tirei minhas dúvidas com a supervisão.
Comprometo-me a seguir as orientações aqui descritas, o plano de cuidados de cada pessoa assistida e as normas de conduta da Cuidado Certo, e a comunicar à supervisão toda intercorrência, dúvida ou situação fora do plano.
Estou ciente de que este manual é educativo, não substitui a avaliação dos profissionais de saúde e será atualizado periodicamente, e de que devo participar das reciclagens de primeiros socorros, mobilidade, demência e comunicação oferecidas pela empresa.
Nome completo:
CPF:
Treinamento realizado em (data e local):
Responsável pelo treinamento:
Índice do manual
- - Como usar este manual
- - Contatos de emergência
- 1 Fundamentos do cuidado
- 1.1 O papel do cuidador
- 1.2 Dignidade, autonomia e comunicação
- 1.3 Organização do plantão e passagem de turno
- 1.4 Conduta profissional Cuidado Certo
- 2 Higiene e conforto
- 2.1 Higiene das mãos e prevenção de infecções
- 2.2 Banho no chuveiro
- 2.3 Banho no leito
- 2.4 Higiene íntima, fraldas e dobras da pele
- 2.5 Boca, dentes e próteses
- 2.6 Vestuário, temperatura e sono
- 3 Mobilidade e prevenção
- 3.1 Princípios para movimentar sem machucar
- 3.2 Transferência cama-cadeira
- 3.3 Cadeira de rodas, bengala e andador
- 3.4 Lesões por pressão
- 3.5 Quedas: tornar a casa mais segura
- 4 Alimentação e hidratação
- 4.1 Alimentação da pessoa idosa
- 4.2 Hidratação, intestino e urina
- 4.3 Disfagia e prevenção de broncoaspiração
- 5 Medicação e monitoramento
- 5.1 Auxílio seguro com medicamentos
- 5.2 Sinais vitais: medir, registrar e interpretar com contexto
- 6 Problemas de saúde frequentes
- 6.1 Pressão alta e pressão baixa
- 6.2 Diabetes: hipoglicemia e hiperglicemia
- 6.3 Insuficiência cardíaca e piora respiratória
- 6.4 Infecções, febre e delirium
- 6.5 Alzheimer e outras demências
- 6.6 Parkinson e cuidados após AVC
- 7 Emergências
- 7.1 Queda, trauma de cabeça e convulsão
- 7.2 Engasgo em adulto consciente
- 7.3 Parada cardiorrespiratória
- 7.4 Quando chamar o SAMU 192
- 8 Situações especiais
- 8.1 Cuidados paliativos e fim de vida
- 8.2 Acompanhamento em internação
- 8.3 Companhia fora de casa
- 8.4 Cuidados após cirurgia
- 9 Rotina e autocuidado
- 9.1 Checklist diário e passagem de plantão
- 9.2 Ergonomia, limites e saúde emocional
- - Glossário
- - Referências e fontes
- - Termo de ciência

